ARS POETICA 2U releva do conceito de que a alquimia das palavras é parte essencial da vida, sendo esta considerada como arte total.
Por isso se revê no projecto ARS INTEGRATA e é parte integrante do mesmo, procurando estar em sintonia com todos os que partilham do nosso modo aberto de conceber e fruir a arte.
Por isso é também 2U (leia-se, "to you", i.e. a arte da poesia para si).
Colabore com poemas, críticas, etc.
E-mail: arspoetica2u@gmail.com
Somos fiéis ao lema "Trás outro amigo também".

Convidamo-lo ainda a visualizar e a ouvir (basta clicar com o rato sobre as imagens) alguns dos poemas com música e interpretação por elementos do Ars Integrata Ensemble (vídeos disponíveis no final desta página), assim como a visitar a página do mesmo em http://arsintegrataensemble.blogspot.com/


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POEMARIUM : recipientis poeticus

POEMARIUM : recipientis poeticus

quinta-feira, 17 de abril de 2008

ARS POETICA (35): Requiem por Pedro Bandeira Freire

Na morte de um poeta...


Pedro Bandeira Freire, um poeta que andou nas bocas da canção popular (entre fados, guitarradas, e o vulgar cançonetismo...), mas que era e merecia mais do que isso (embora se compreenda que um poeta não possa viver só do ar...), libertou-se ontem das amarras que o prendiam ao corpo e partiu ontem para o convívio dos poetas que habitam os homéricos Campos Elísios.

Por acaso ou talvez não, foi também dono de um cinema (aliás 4 em 1, e daí a sua designação: o Quarteto) que marcou a minha geração e outras que vieram não apenas porque passou muitos dos melhores filmes projectados em Portugal, mas por se ter tornado quase um lugar de culto e de destino obrigatório de cinéfilos durante as três últimas décadas do século XX. Antes disso, fora co-fundador da Livraria Opinião, outro grande marco de gerações, local de passagem e permanência (para muitos, como eu, era quase uma segunda casa), espaço de tertúlia multidisciplinar e muito mais, que tendo resistido ao fascismo anquilosante não sobreviveu ao pós-25 de Abril de 1974 (para o qual tanto contribuiu), pois nessa altura "a poesia esta(va) na rua"!



Pedro, a musa que te inspirou por forma duradoura, quis nesta ocasião em que partes para outras paragens oferecer-te um Requiem que te rende pública homenagem e juntar-lhe um "rumor" da inspiração que transmitias. Ars Poetica 2U orgulha-se de ter sido escolhido como porta-voz.

David Zink



Requiem para Pedro Bandeira Freire



Na manhã da tua despedida o sol brilhou nas campaínhas e margaridas das escarpas citadinas. Depois foi-se retraindo até as nuvens emprenharem da dimensão da tua perda. Enquanto estavas em coma eu gostaria de ter tido um segundo a teu lado e pegar-te na mão e levar-te uma parcela do sol e perfumes do verão que a primavera cozinha. Aquele verão pelo qual aguardavas encerrado na tua casa sombria. Sombrio imagino o quarto do hospital onde teu coração exausto, na madrugada, se entregou. Mas eu sei, eu sei, que por dentro do azul de teus olhos reinava nesse momento todo o mar do mundo. E é por isso que aqui te deixo, pedro, estas palavras antigas.
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19 Agosto – 03 Setembro 1990

Fuzeta. O estender dúctil dos pantanos arenosos no voo picado das pequenas aves brancas como pedras lácteas em queda. Tojo, canas, detritos, tornozelos fulgindo conchas, constelações de mil patas delicadas na areia fina, luras, refúgios. Linguagens. Apreender as suas infinitas cambiantes..... Tu vens lá de fora do mundo com a tua linguagem dentro do idioma dele. E súbito sou assim tão nua e tensa a esses gritos, a esses sons que a mim chegam. Uma palavra é então um enorme polvo de mil tentáculos que se me enrodilha nas pernas. Tropeço, levanto-me, tropeço de novo e então estou assim tão cansada. Cansada da minha surdez, da minha inépcia diante da tua linguagem. Tu dizes lua, dizes árvore, dizes pedra. Tu dizes. Eu sei o que é uma lua, uma árvore, uma pedra. Não sei porém de que lua, árvore, pedra me falas tu. Fica então apenas o risco abstracto desses signos, sem substância, volume, cheiro. Fica apenas na grande folha branca de nossas vidas a palavra lua, árvore, pedra. Porém eu sei que a lua mesma pode ser árvore e a pedra que me falas lua. Mas como saber isso de ti, como arrancar-te desse teu hermético linguarejar? Pedro, diz-me que lua, que pedra é essa de que me contas. Não me abandones neste deserto de letras mudas. Pedro, eu não sei nada e não entro no teu universo que é o mundo. Há uma mata densa e escura e branca que me impede o caminho. Eu estou de mãos vazias e esgotada de investidas cegas e vãs no denso bosque. Do outro lado ouço o rumor do teu corpo. Tu gritas “ouves-me?” e eu respondo. Mas em verdade não te ouço, mas em verdade não te vejo e o rumor que me chega é apenas o som de meu respirar sufocado. Pedro, lá do local onde te encontras atira-me uma mão. Dá-me machados, cutelos, fogos, navalhas, roupas, risos. Faz com que eu seja tractor, ceifeira, debulhadora, serra eléctrica. Ajuda-me a ceifar este milheiral bravio de palavras. Faz com que eu abra caminhos até ao teu fresco solar pomar e diz-me depois o nome de cada fruto, cada folha, cada pedra. Pedro dá-me a comer as laranjas sumarentas do teu mundo

Kitó

terça-feira, 15 de abril de 2008

quarta-feira, 9 de abril de 2008

ARS POETICA (33): Haiku V56, de Isabel Cristina



Haiku


V56


Derretem em alvas
bocas, molhados p’la chuva
frutos d’alvoradas


Isabel Cristina
04.08

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segunda-feira, 7 de abril de 2008

ARS POETICA (32): Rossinianos gatos de Júlia Lello



A Dona


Ela cuida de ti como cuida dos gatos:
Entre duas espinhas, passa-te a mão pelo p’lo,
Vigiando-te os cios, previne os desacatos
E vai servindo os restos, com lúcido desvelo.

P´ra que a tua alforria todo o mundo constate
Deixa que mies alto, à noite, nos telhados
(contando que seja o tempo do repouso das gatas
E o gang dos caixotes actue noutros lados).

E, porque não há nada que tanto te deleite,
Consente que persigas os ratos nos esgotos.
Mas à porta, de sonsa, deixa-te o pires de leite,
E uma fôfa almofada onde enterres os osssos

Júlia Lello, 93

* Poema dito por Júlia Lello (extra-programa) com música original de David Zink, no espectáculo do Ars Integrata Ensemble - "Prima la musica, poi le parole?"- levado realizado no Palácio Foz em 6 de Abril de 2008 (v. programa completo em ARS MUSICA (39): Ars Integrata Ensemble ao vivo no Palácio Foz )


quinta-feira, 3 de abril de 2008

ARS POETICA (31): A ciência e a arte de Jorge Castro



Da Ciência e da Arte*



Grilhetas são as sombras nas paredes das grutas
E os medos fundem no meu corpo os rochedos e o chão

Esquecido de voar
Tenho de inventar asas para descobrir o Sol
E desfraldar as velas dos caminhos não cumpridos
Aí aperceberei o som único da minha voz
Encruzilhada de encontros feitos da ciência dos dias e da arte dos homens
Estarão aí os cumes das montanhas
Ou mesmo só as verdes planícies iluminadas
Onde te encontre

Porque só disso se trata
Por fim
O encontrar-te

Depois a arte fluirá
Nesse espaço todo feito de magias e imponderáveis
Em fugaz ou efémera eternidade
E a ciência dos dias encontrará o homem
E tudo estará no sítio certo
Nesse mar desesperadamente azul e imenso
Intranquilamente constante

E esses seremos nós

E nunca se terá visto alguma vez um mar tão grande.


- Jorge Castro
01 de Maio de 2003


* Poema inédito de Jorge Castro, musicado por David Zink para o espectáculo do Ars Integrata Ensemble no Palácio Foz (domingo, 6 de Abril de 2008, pelas 16h - v. programa completo em ARS MUSICA (39): Ars Integrata Ensemble ao vivo no Palácio Foz )

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quarta-feira, 2 de abril de 2008

ARS POETICA (30): Da poesia concertante de Júlia Lello



Acerca da essencial e discreta diferença*



Sur-presa das manhãs em que ‘inda me visitas
Acordo-as pressurosa. Solicita, penteio-as
Preparo-as para as galas.
Sentamo-nos então para melhor olhar-te,
Enquanto o tempo pára
E com simplicidade teu trono ocupas.
Diante a ti tecemos
Bordamos, recamando nossas preciosas telas
Perante o teu olhar longuínquo, intenso
O teu olhar perdido acutilante.
Desenleamos as meadas, dobamos
Com júbilo, celebrando a efeméride.
Porém, fugaz e lento, o tempo escoa-se:
Dás sinais de agitado.
E antes de ver-te ansioso
Despeço, lesta as companheiras
E acompanho-te à porta eu própria.
Sóbria, compondo os cabelos
Lançando fora os restos, esconjurando as memórias.
Sossego então. E pronta,
Dirijo-me, eficaz, ao dia que começa.

in: O Concerto ou: o triunfo da música (peça de teatro): seguido de nove poemas inéditos / Júlia Lello. Lisboa : Tema, 1999


* Poema musicado por David Zink para o espectáculo do Ars Integrata Ensemble no Palácio Foz (domingo, 6 de Abril de 2008, pelas 16h - v. programa completo em ARS MUSICA (39): Ars Integrata Ensemble ao vivo no Palácio Foz )

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terça-feira, 1 de abril de 2008

ARS POETICA (29): Voando com Jorge Castro



Canção de embalar*



Vês?
Se tu quiseres eu sou capaz de voar
Depois peço que me dês a tua mão
E virás comigo a todos os céus dos jardins por inventar
Veremos tudo o que fica para aquém dos nossos sonhos
E as pétalas das flores que nunca serão espezinhadas

Porque nós os dois sabemos bem desse mundo sem tempo e sem lugar
Desse espaço apenas apercebido na hora indecisa da madrugada
Em que os ogres adormecem e voltam a ser meninos
E as fadas cansadas demais para existirem
Se recolhem confundidas com as árvores da floresta

Haveremos de percorrer uma a uma cada estrela
Principalmente aquelas que ainda nunca vimos
E que guardam em si a luz que trazes no olhar

Estaremos na fúria dos mares e dos ventos
Seremos tão pequenos que ninguém saberá de nós
Tão imensos que caberá em nós todo o universo
E o nosso riso perturbará no firmamento a Via Láctea

Vês, filho
Como é tão grande e cheio de tudo este espaço em que podemos voar?

Voemos
Voemos agora que já vestiste o teu fato espacial da nave do sono
E eu me retiro devagarinho para não te acordar...



Jorge Castro
21 de Novembro de 2004


* Poema musicado por David Zink e coreografadJustificar completamenteo por Sofia Sylva, para os espectáculos do Ars Integrata Ensemble na Culturgest (31 Jan. 2007) e com nova coreografia da mesma bailarina no Palácio Foz (domingo, 6 de Abril de 2008, pelas 16h - v. programa completo em ARS MUSICA (39): Ars Integrata ao vivo no Palácio Foz )

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segunda-feira, 31 de março de 2008

ARS POETICA (28): Textos pretextuais de Júlia Lello (II)



Ad Præsente Deo*



Tudo parece agora inteiro e claro
Confiante e imutável
Cada olhar é legível e liberto
E em tua mão honesta a minha pousa

Partir-se de uma base quanto isso tranquiliza
Não mais equívocos A má fé repousa
Banida E a luz envolve as formas

E no entanto uma palavra
Às vezes um silêncio ou uma
Imperceptível indomável onda
Desorganiza Abala Instaura o caos

Partido este porém já outra vez de novo
Se pode degustar a paz quando ela volta
Já outra vez não-podre
Mas fresca depurada

E este ciclo de vida é a ti que devo.


in: Textos pretextuais / Júlia Lello. Odivelas: Europress, D.L. 1991

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* Poema musicado por David Zink para o espectáculo do Ars Integrata Ensemble no Palácio Foz (domingo, 6 de Abril de 2008, pelas 16h - v. programa completo em ARS MUSICA (39): Ars Integrata Ensemble ao vivo no Palácio Foz )

sexta-feira, 28 de março de 2008

ARS POETICA (27): Haiku V55, de Isabel Cristina


Haiku


V55

Sons crepusculares
acordam doces manhãs
em bocas de luz
Isabel Cristina / 03.08



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segunda-feira, 24 de março de 2008

ARS POETICA (26): A poética do amor em Jorge Castro


Falas de amor
*


o amor é essa coisa improvável
quase ao rés do impossível
lugar tardoz
escondido
ao recato da família
que tantas vezes perpassa
sinuoso – aventureiro
- ia dizer indizível… -
brilhante qual candeeiro
de luz dada ao mundo inteiro
cheio de graça e desgraça
diamante que retraça um coração distraído
e que por vezes se esquece num recanto da mobília

mas um dia abro a gaveta
dos olhos
das mãos
da boca
de cada um dos sentidos
lá vem ele feito uma seta
essa coisa sem sentido
correndo como uma louca numa corrida sem meta

se consente
consciente
vai da paixão ao ocaso
então faz-se inconsciente
não sendo assim por acaso
que ver com olhos de amar
só se vê o que se quer
… ao resto não se faz caso

ah o amor – o amor
o amor não consentido
há lá coisa tão melhor do que um amor distraído?


Jorge Castro
2006

* Poema musicado por David Zink para os espectáculos do Ars Integrata Ensemble na Culturgest (31 Jan. 2007) e no Palácio Foz (domingo, 6 de Abril de 2008, pelas 16h - v. programa completo em ARS MUSICA (39): Ars Integrata ao vivo no Palácio Foz )


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quinta-feira, 20 de março de 2008

ARS POETICA (25): Correio poético (12): Poesia em Dia de...


PRIMAVERA


Gravita a vitalidade…
Germinam as sementes…
Um decote em forma de uva
cingindo um corpo só…
As magnólias espreguiçam
suas pétalas amarrotadas…
Uns olhos cor de avelã
num rosto de tez perfumada…
As rosas embalam-nos
com seu dulcíssimo perfume…
Um sorriso franco
diamante dos olhos da alma…
Pelos campos as papoulas
abrem, descaradas, seus negros corações de ouro…
Na boca um cântaro de mel,
um movimento preguiçoso,
um coração cavalgante,
as abelhas zumbindo o néctar dos Deuses…
Uma perna bem torneada
o desejo cintilante
num umbigo sem pudor…
Um chilreio de tenor, um bramido, um gorjeio de barítono,
um alento…
O sonho
que pairou silencioso na brisa inquieta
espreguiça então o desejo
de uma intimidade descomposta…
Edite Gil
2006.Abr.15

quarta-feira, 19 de março de 2008

ARS POETICA (24): Poemas mínimos (II): Rien de rien, c'est tout!


II - O Nada... (poema em poucas palavras)



David Zink / 19 Mar. 2008

domingo, 16 de março de 2008

ARS POETICA (23): Correio Poético (11): To be or not to be...


De Francisco José Lampreia, que com a Estefânia Estevens forma um "duo poético" - ela divulgando com o (en)canto da sua voz os poemas dele, e este entrecruzando a sua "fala" tranquila numa toada ritmada, não raro com simbólica ironia - que tem vindo a recolher largo aplauso nas "Noites com poemas", recebemos um...


Poema de sense ou de nonsense?

Estou cansado de ouvir a felicidade comercial nas canções.
Gosto de ti, porque não cantas.
Mas continuo a ouvir as mesmas canções.
Algum dia, deixarei de gostar de ti,
Porque não cantas.
- Mas devo começar a cantar? Perguntas meigamente.
- Meu amor, não me faças perguntas difíceis.
Eu digo o mesmo que diz o povo na sua cultura:
“Mostrar inteligência em terra de loucos, é loucura!”

Francisco José Lampreia


segunda-feira, 10 de março de 2008

ARS POETICA (22) : Haiku(s) de Isabel Cristina


3 HAIKAI

Isabel Cristina, artista plástica e professora de ioga, confiou-nos 3 Haiku(s), essa forma poética depurada, de tradição japonesa mas que desde o final do séc. XIX tem vindo, para nosso deleite, a conquistar um número crescente de adeptos ocidentais.



V52

Esvoaçam olhos
P’lo céu rasgado de pássaros
Em manhãs de luz



V53

Em boca sedenta
Encosto o meu desejo
Solta-se a pele


V54

Acesa na noite
A minha boca é d’água
Entorno carícias


Isabel Cristina

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sexta-feira, 7 de março de 2008

ARS POETICA (21): Textos Pretextuais de Júlia Lello



E porque o culto


Não cuides que te busco ainda por querer-te
Pois nem te quereria já se tu te desses,
De tanto me aplicar (certa de que o quisesses)
No construir da ideia de perder-te:

Após louco intentar com ardis demover-te
Ao ver que a amor já não era crível que cedesses
Desistindo por fim de crer que tu viesses
Oh, como trabalhei os gestos de não ver-te!

E ao fim de tanto estóico esforço de vontade,
se alguma vez me vires buscar com ansiedade
Nesse lodo em que afunda memórias teu olhar,

Não te iludam vestígios de incansável ardor
Nem atribuas causas a saudades de amor
Que é a mim, nada mais, que eu ando a procurar.

in: Textos pretextuais / Júlia Lello. Odivelas: Europress, D.L. 1991


* Poema musicado por David Zink para o espectáculo do Ars Integrata Ensemble no Palácio Foz (domingo, 6 de Abril de 2008, pelas 16h - v. programa completo em ARS MUSICA (39): Ars Integrata Ensemble ao vivo no Palácio Foz )

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

ARS POETICA (20): Correio Poético (10): Por onde moram os anjos...


Dentro de mim...

Se eu te disser
Que mora um anjo dentro de mim.
Que se reveste de luz
Que minha vida conduz!

E que essa luz...
Apaga a inveja e maldição,
Espalha o amor
Dentro do meu coração!

Se eu te disser
Que dentro de mim
Existe uma chama
Tão quente
Que me dá ânimo
e muito alento!

Se eu te disser
Que esse anjo que vive em mim...
Faz parte do meu ser
Do princípio até ao fim!

Se eu te disser
Que dentro de mim
Existe um segredo...
Um elo ou corrente
Que me anima
Mesmo quando estou doente!

Ah! Se eu te disser
Tudo o que minha alma sente
Um anjo com asas
Sim! serei sempre
Leve como o vento!


Emília Lamy
2007/28/12

sábado, 23 de fevereiro de 2008

ARS POETICA (19 ): Correio Poético (9): In Memoriam


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Olhei-te
Não me viste
Chamei-te
Não me ouviste
Mas agarrei-te e fiquei contigo
Sempre até ao fim.

Muitas vezes em silêncio
Muitas mais os dois.

Percorremos caminhos
Alcançámos paz
Demos alegrias.
Pouco perdemos
Porque cada dia
estávamos simplesmente.

Agora partiste
E eu fiquei.
Mas não estou só:
Tenho por companhia
as nossas recordações.


Clotilde Moreira


quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

ARS POETICA (18) : as palavras

Dentro de breves momentos, este poema será lançado ao mundo, na Biblioteca Municipal de Cascais, em São Domingos de Rana, na sessão de Noites Com Poemas. Aqui fica, entretanto, em pleno trabalho de parto:

as palavras

são palavras que nos guardam
que resguardam o passado
nos caminhos que trilhamos

são palavras do presente
que se lavram ternamente
no futuro que fizermos

mas há palavras dementes
que ferem gritam trucidam
o dia mal resguardado

há gemidos nas palavras
lágrimas risos e as lavras
da sementeira do acaso

palavras não valem nada
mas são o gume da espada
e do berço o acalanto

eu às palavras pertenço
e subo ao rés do universo
se me perco ou se me venço

às palavras me abandono
que não sou dono de nada
para além de uma alvorada

trago as palavras comigo
levo-as ao porto de abrigo
nos caminhos que cruzamos

há palavras para os ais
para o sempre e nunca mais
elas sobram se as calamos.


- poema de Jorge Castro

domingo, 17 de fevereiro de 2008

ARS POETICA (17): Poemas mínimos (I): Nothing at all...


I - Nada mais que... (poema sem palavras)


David Zink / 17 Fev. 2008


sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

ARS POETICA (16): Correio poético (8): Palavras-chave


As palavras



Falo de Amor,
falo de raiva
e sempre de Paz;


Falo da guerra,
mas também de Esperança,
de Alegria.


Falo da Primavera
e de flores;


Falo de tudo
Sempre com as mesmas palavras,
Apenas as alinho de maneiras diferentes.


Maria Clotilde Moreira - Algés


Da Ciência e da Arte / Jorge Castro (poema) & David Zink (música)

Acerca da essencial e discreta diferença / Júlia Lello (poema) & David Zink (música)

Canção de embalar / Jorge Castro (poema) & David Zink (música)

Falas de amor / Jorge Castro (poema) & David Zink (música)