ARS POETICA 2U releva do conceito de que a alquimia das palavras é parte essencial da vida, sendo esta considerada como arte total.
Por isso se revê no projecto ARS INTEGRATA e é parte integrante do mesmo, procurando estar em sintonia com todos os que partilham do nosso modo aberto de conceber e fruir a arte.
Por isso é também 2U (leia-se, "to you", i.e. a arte da poesia para si).
Colabore com poemas, críticas, etc.
E-mail: arspoetica2u@gmail.com
Somos fiéis ao lema "Trás outro amigo também".

Convidamo-lo ainda a visualizar e a ouvir (basta clicar com o rato sobre as imagens) alguns dos poemas com música e interpretação por elementos do Ars Integrata Ensemble (vídeos disponíveis no final desta página), assim como a visitar a página do mesmo em http://arsintegrataensemble.blogspot.com/


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POEMARIUM : recipientis poeticus

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domingo, 14 de novembro de 2010

ARS POETICA (79): O Outono, de Vivaldi



L' AUTUNNO
(soneto)


Allegro

Celebra il Vilanel con balli e Canti
Del felice raccolto il bel piacere
E del liquor de Bacco accesi tanti
Finiscono col Sonno il lor godere

Adagio molto

Fà ch' ogn' uno tralasci e balli e canti
L'aria che temperata dà piacere,
E la Stagion ch' invita tanti e tanti
D' un dolcissimo Sonno al bel godere.

Allegro

I cacciator alla nov'alba a caccia
Con corni, Schioppi, e canni escono fuore
Fugge la belva, e Seguono la traccia;
Già Sbigottita, e lassa al gran rumore
De' Schioppi e cani, ferita minaccia
Languida di fuggir, ma oppressa muore.


Antonio Vivaldi
fecit circa 1752
& per musica:

«L'AUTUNNO» (de "Le Quattro Stagioni")
Concerto in Fa Maggiore, RV 293, de L'Estro Armonico, op. 8, n.º 3


I Movimento - Allegro / Schlomo Mintz (violino) & The Israel Philharmonic Orchestra, dir. Zubin Mehta


II Movimento - Adagio molto / Gidon Kremer (violino & dir.) & The English Chamber Orchestra


III Movimento - Adagio / Schlomo Mintz (violino) & The Israel Philharmonic Orchestra, dir. Zubin Mehta


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domingo, 9 de maio de 2010

ARS POETICA (76): E tudo era possível em Maio, segundo Ruy Belo...

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E TUDO ERA POSSÍVEL


Na minha juventude antes de ter saído
da casa de meus pais disposto a viajar
eu conhecia já o rebentar do mar
das páginas dos livros que já tinha lido
Chegava o mês de Maio era tudo florido
o rolo das manhãs punha-se a circular
e era só ouvir o sonhador falar
da vida como se ela houvesse acontecido
E tudo se passava numa outra vida
e havia para as coisas sempre uma saída
Quando foi isso? Eu próprio não o sei dizer
Só sei que tinha o poder duma criança
entre as coisas e mim havia vizinhança
e tudo era possível era só querer



Ruy Belo, Homem de Palavra[s]
5ª ed., Lisboa: Editorial Presença, 1999
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quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

ARS POETICA (72): Correio poetico (22): O Inverno, na voz de Clotilde Moreira e em Vivaldi



O INVERNO CHEGOU



O vento soprou
com força guinchou,
como nota desavinda
que se soltou
e sozinha cantou.

O vento soprou
e com força arrancou
o chapéu
que voou
e lá longe aterrou.

O vento soprou
e com força gritou:
o INVERNO chegou...


Maria Clotilde Moreira




The return of Mr. Winter
(2010) / David Zink


& L’ HIVERNO, di Antonio Vivaldi (1678-1741)



Concerto no. 4, in Fa minore per archi, RV 297, "L’ Inverno" – movimento I : Allegro non molto / Gidon Kremer (violino) & The English Chamber Orchestra (rec. 1992)

parte quarta di Le Quattro Staggioni, in Il cimento dell'armonia e dell'inventione, opus 8 (ca. 1725)


INVERNO
(soneto)


(Movimento I: Allegro non molto)


Aggiacciato tremar trà nevi algenti
Al Severo Spirar d' orrido Vento,
Correr battendo i piedi ogni momento;
E pel Soverchio gel batter i denti;


(Movimento II : Largo)


Passar al foco i di quieti e contenti
Mentre la pioggia fuor bagna ben cento


(Movimento III : Allegro)


Caminar Sopra il giaccio, e à passo lento
Per timor di cader gersene intenti;
Gir forte Sdruzziolar, cader à terra
Di nuove ir Sopra 'l giaccio e correr forte
Sin ch' il giaccio si rompe, e si disserra;
Sentir uscir dalle ferrate porte
Sirocco Borea, e tutti i Venti in guerra
Quest' é 'l verno, mà tal, che gioia apporte.

Antonio Vivaldi
fecit circa 1725
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sexta-feira, 20 de março de 2009

ARS POETICA (61): Viva(ldi), La Primavera!



Ars Poetica 2U celebra a Primavera publicando dois poemas em concerto (um brinde de Pedro Sevylla de Juana, vindo de Espanha expressamente para os nossos leitores, e outro, oh surpresa das surpresas!, um soneto de Antonio Vivaldi), a música das palavras e não só...


PRIMAVERA


A gente da rua, a comum e corrente
a que começa o dia quando o dia começa,
essa gente magnífica que empurra o planeta,
me entusiasma e me surpreende.

Às brisas frescas
e às fragrantes flores
recém abertas
lhes chama essa gente
primavera.

Às traquinadas das crianças alegres
e às pechinchas achadas nas feiras
lhes diz essa boa gente
primavera.

Às noites serenas
e à vizinha lua
pálida e cheia
lhes chama
primavera.

A comer três vezes ao dia
um prato de lentilhas, um guisado de ovelha
ou algumas costelas de porco,
lhe diz essa gente primavera.

A enlaçar a tempo um ónibus com outro
para chegar pontual à oficina
e trabalhar quase sem repouso
onze horas ao dia,
cobrando depois de uma comprida espera
uma paga mesquinha,
lhes chama primavera.

A passar uma manhã inteira
sem lumbago, ciática
reumatismo, gastrite ou enxaqueca
lhe diz esta gente primavera.

Os homens e mulheres de carne e sangue
excedem minha capacidade de surpresa:
contagiam ilusão, derramam coragem,
arrostam a vida com a olhada aberta,
comentam em voz alta suas intimidades,
abarrotam as salas de espera
e ao menor indício de melhora
à realidade mais pequena
a qualquer coisa
lhe chamam primavera.

Pedro Sevylla de Juana


e LA PRIMAVERA, di Antonio Vivaldi (1678-1741)

Concerto no. 1, in Mi maggiore per violino, archi e clavicembalo, RV 269, "La Primavera" – movimento I : Allegro / Gidon Kremer (violino) & The English Chamber Orchestra (rec. 1992)
parte prima di Le Quattro Staggioni, in Il cimento dell'armonia e dell'inventione, opus 8 (ca. 1725)



PRIMAVERA
(soneto)

(Movimento I: Allegro)

Giunt' è la Primavera e festosetti
La Salutan gl' Augei con lieto canto,
E i fonti allo Spirar de' Zeffiretti
Con dolce mormorio Scorrono intanto:

Vengon' coprendo l'aer di nero amanto
E Lampi, e tuoni ad annuntiarla eletti
Indi tacendo questi, gl' Augelletti;
Tornan' di nuovo al lor canoro incanto:


(Movimento II : Largo)

E quindi sul fiorito ameno prato
Al caro mormorio di fronde e piante
Dorme 'l Caprar col fido can' à lato.


(Movimento III : Allegro)

Di pastoral Zampogna al suon festante
Danzan Ninfe e Pastor nel tetto amato
Di primavera all' apparir brillante.

Antonio Vivaldi
fecit circa 1725

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quinta-feira, 20 de março de 2008

ARS POETICA (25): Correio poético (12): Poesia em Dia de...


PRIMAVERA


Gravita a vitalidade…
Germinam as sementes…
Um decote em forma de uva
cingindo um corpo só…
As magnólias espreguiçam
suas pétalas amarrotadas…
Uns olhos cor de avelã
num rosto de tez perfumada…
As rosas embalam-nos
com seu dulcíssimo perfume…
Um sorriso franco
diamante dos olhos da alma…
Pelos campos as papoulas
abrem, descaradas, seus negros corações de ouro…
Na boca um cântaro de mel,
um movimento preguiçoso,
um coração cavalgante,
as abelhas zumbindo o néctar dos Deuses…
Uma perna bem torneada
o desejo cintilante
num umbigo sem pudor…
Um chilreio de tenor, um bramido, um gorjeio de barítono,
um alento…
O sonho
que pairou silencioso na brisa inquieta
espreguiça então o desejo
de uma intimidade descomposta…
Edite Gil
2006.Abr.15

Da Ciência e da Arte / Jorge Castro (poema) & David Zink (música)

Acerca da essencial e discreta diferença / Júlia Lello (poema) & David Zink (música)

Canção de embalar / Jorge Castro (poema) & David Zink (música)

Falas de amor / Jorge Castro (poema) & David Zink (música)