ARS POETICA 2U releva do conceito de que a alquimia das palavras é parte essencial da vida, sendo esta considerada como arte total.
Por isso se revê no projecto ARS INTEGRATA e é parte integrante do mesmo, procurando estar em sintonia com todos os que partilham do nosso modo aberto de conceber e fruir a arte.
Por isso é também 2U (leia-se, "to you", i.e. a arte da poesia para si).
Colabore com poemas, críticas, etc.
E-mail: arspoetica2u@gmail.com
Somos fiéis ao lema "Trás outro amigo também".

Convidamo-lo ainda a visualizar e a ouvir (basta clicar com o rato sobre as imagens) alguns dos poemas com música e interpretação por elementos do Ars Integrata Ensemble (vídeos disponíveis no final desta página), assim como a visitar a página do mesmo em http://arsintegrataensemble.blogspot.com/


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POEMARIUM : recipientis poeticus

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domingo, 26 de dezembro de 2010

ARS POETICA (81): Correio Poético (24): Edite Gil escreve ao Pai Natal

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Santa Claus IllumiNatus / (re)designed by DZ, 2010


CARTA AO PAI NATAL


Querido Pai Natal,
este ano peço-te dois presentes,
dois presentes especiais.
Como sei que para ti tudo é possível
peço-te uma borracha e um lápis especiais
Uma borracha muito especial
uma borracha que apague ódios e guerras
que apague a fome e as doenças
que apague mentiras e desejos de vingança…
E um lápis especial
para corporizar abrigos e agasalhos
um lápis
para desenhar um sorriso em cada rosto
escrever a felicidade em cada coração
e a esperança em cada homem.

Edite Gil
2010.Dez.05
publicado in: http://e_dixit.blogs.sapo.pt
"Daria tudo que sei, em troca da metade do que ignoro."
Descartes
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terça-feira, 23 de dezembro de 2008

ARS POETICA (53): Correio poetico (18): Presente de Natal


Christmas' words IV (2008) / David Zink


Que a magia do Natal devolva os sonhos em realidade; e que em 2009 a felicidade nos olhares seja o espelho de cada um de nós.

Aos meus amigos, ofereço um…


PEQUENO POEMA

Dilua-se no universo
a couraça de orgulho!
Derreta-se no vento
a couraça de vaidade!
Dissipe-se no sol
a couraça de prepotência!
Louvemos colos
borralhos
afectos.
Busquemos a essência!


Edite Gil
2008.Dez.19

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

ARS POETICA (48): correio poético (16): Edite Gil, do real ao imaginário



RAZÃO SONHO REAL IMAGINÁRIO


Na caverna de um ser
o respirar da alma…
o respingar da alma…
Esbarrar no vazio, no silêncio, na indiferença
instintivamente, por dor ou saudade
é não compreender a música nómada
é não compreender a infusão, a fusão e a efusão…
Refulgindo, o ébano do espírito mascara-se com a candura…
Que regresse a condescendência da fantasia!
O refrão invade o rifão!...
Grite-se a mágoa infinda do coração clandestino
que caminha ilícito e descalço…
o frio das pedras na vereda cortante que ruma ao abismo…
Quem ousou cortar as asas da imaginação?
Cada um ruma a si, e não se encontra…
E o zimbório da vida em astuta zombaria…
O refrão invade o rifão!...
Para quê as palavras?
Para quê os sonhos?
Para quando, o momento memorável da libertação?


Edite Gil
2008.Ago.26

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segunda-feira, 28 de abril de 2008

ARS POETICA (38): Correio Poético (13): Memorabilia de Edite Gil


ÉTIMO DA MEMÓRIA



No étimo da memória
a reminiscência de sorrisos…
Declaro pobreza assumida na demência das mentes!
Traço traços, faço rabiscos, arrisco uns riscos paradoxos!
Finco os pés finos e fico
mirando o trote das árvores.
Visto-me de paisagem…
No alfobre,
nem botão nem flor seca…
Esqueci as cores da juventude
e a gravidez das estrelas…
As andorinhas engripadas não rumam para Sul!
Submirjo de beijos rubros de doçura
na cor travessa do sentimento!
Na agonia da ira do amor
quero a embriaguez de verdade!
Ordeno ao odor do crepúsculo coruscante, reluzente
a insânia insónia!
Estou tão perto de nada no dorso da calçada
presencio a canção das águas…
Afinal
só quero de volta a minha alma
e desenhar nostalgias desertas distraidamente excêntricas…


Edite Gil
2008.Abr.27

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quinta-feira, 20 de março de 2008

ARS POETICA (25): Correio poético (12): Poesia em Dia de...


PRIMAVERA


Gravita a vitalidade…
Germinam as sementes…
Um decote em forma de uva
cingindo um corpo só…
As magnólias espreguiçam
suas pétalas amarrotadas…
Uns olhos cor de avelã
num rosto de tez perfumada…
As rosas embalam-nos
com seu dulcíssimo perfume…
Um sorriso franco
diamante dos olhos da alma…
Pelos campos as papoulas
abrem, descaradas, seus negros corações de ouro…
Na boca um cântaro de mel,
um movimento preguiçoso,
um coração cavalgante,
as abelhas zumbindo o néctar dos Deuses…
Uma perna bem torneada
o desejo cintilante
num umbigo sem pudor…
Um chilreio de tenor, um bramido, um gorjeio de barítono,
um alento…
O sonho
que pairou silencioso na brisa inquieta
espreguiça então o desejo
de uma intimidade descomposta…
Edite Gil
2006.Abr.15

sábado, 2 de fevereiro de 2008

ARS POETICA (14) : Carnevalis Poeticus (1)



MÁSCARA


Não tem uma forma fácil
de artesanalmente se confeccionar
de cartão, pano, gesso ou couro
o rosto deve sempre ocultar

Talvez no culto de Isis
ou honrando Dionísio, surgiu
na aura Grécia clássica
sua impar função cumpriu

Na Idade Média talvez
nas festas de doidos ou inocentes
naqueles folguedos medievais
mais ou menos decadentes

Nos primórdios do teatro
como simples caracterização
nas ancestrais culturas
da Grécia ou do Japão

Mas desde Ésquilo e Sófocles
e seus heróicos musicais
que a dita evoluiu
e saiu dos palcos teatrais

Na commedia dell'arte
com o célebre pantaleão
a bem distinta columbina
e arlequim, sábia improvisação

Num Carnaval bem temperado
com faz-de-conta e subtileza
o charme, a imaginação e o mistério
são seus convivas de mesa

Umas tocam o burlesco
sem tom de provocação
outras tocam o jocoso
são sátira e acusação

É sempre um desafio
à nossa imaginação
fazê-las com inteligência
e ostenta-las com paixão.

Edite Gil
2006.Fev.23

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

ARS POETICA (12): Correio Poético (7) : Glosa de Edite Gil


DA POESIA PARA O POETA


Poeta:
- Eis-me aqui, de novo
Em mais um desabafo comisero
Dos vincos desta engelhada memória…

Poesia:
- Não.
Basta!
Pára!
Deixa-te desse palavreado literário
Desse ar austero de quem domina o que quer que seja
Não me enclausures entre os eruditos.
Eu sou livre e indomável, nasço espontânea…
Não basta casares as palavras de forma diferente
Solene e requintada, pinceladas de outros tons
E chamares-me poesia.
Não me catalogues nem rotules,
Sextilha ou oitava
Redondilha maior ou menor
Eneassilábica ou decassilábica
Rima cruzada ou interpolada
Pejada ou despojada de pontuação…
Olha-me com verdade!
Escuta-me,
Sente-me,
Inebria-te em mim…
Ou crês, por ventura, que almejo ser o mero vomitório dos teus queixumes?

Edite Gil
2006.Mar.20

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

ARS POETICA (10) : Correio Poético (5) : Elegia de Natal de Edite Gil


Christmas angelorum (2007) / David Zink



O NATAL DA MINHA INFÂNCIA

Na minha infância
O pinheiro de Natal era um pinheiro
Um pinheiro sempre verde
O cheiro…
O cheiro era o de pinheiro manso
Algumas pinhas agarradas aos galhos
Ajudavam a vesti-lo de uma forma humilde mas genuína
A avó pendurava Pais Natal e sombrinhas de chocolate
E uma nota de Santo António para cada neta…
O avô amassava as filhós e acendia a lareira que
num canto da sala crepitava os sons de Natal…
Na minha infância
O Natal era ingenuidade e pureza
O Natal era a família
A paz, a harmonia
A pureza doa afectos
A solidariedade entre as pessoas
Era um menino semi-nu, numa manjedoura…
Na minha infância
O Natal não era consumismo
Nem presentes caros
Nem mesas ricamente adornadas
Fomentando vergonhosas ostentantações
Na minha infância
O Natal era simplesmente
Amor
Na minha infância
Os presentes eram singelos
Os presentes eram deixados às crianças,
Não eram encomendados por elas,
Mas eram uma nascente de genuína felicidade
Que nos rasgava o rosto
Com um sorriso franco da alma
Na minha infância
Não era obrigatório oferecer presentes
Davam-se de coração, eram verdadeiros
Na minha infância
O Natal tinha um brilho especial



Edite Gil
2007.Dez.20

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

ARS POETICA (3) : Correio Poético (1)


Abrimos o correio poético e recolhemos 2 POEMAS DE EDITE GIL:



O REINO DE AQUEM MAR



O Imperador reinava
No seu trono, irresoluto
Fazia mui jus ao voto
Tinha o poder absoluto.

No Parlamento de Algas,
Deste reino de Aquém mar,
Os prosódicos discursos
Eram canções de embalar.

No Ministério da Terra
Era tal a disfunção
Que p'ra evitar a guerra
Muda a cor, o Camarão.

Mas sem dizer a ninguém,
No mais íntimo segredo,
Dando ares de convicção
Sem reconhecer o medo.

E assim desgovernava
Este peixe, a nação
A impotência era muita,
Maior era a ambição.

Não havia um algodão,
No âmbito da saúde,
Que não tivesse controle
Muito, muito amiúde.

O Imperador reinava
No seu trono, irresoluto
E as finanças, controlava,
Acreditando ser arguto.

Na pesca em terra seca,
Muita água ele metia,
Deixava outro oceano
Pescar o que bem queria.

Administrando Aquém,
Com seu ar superior,
Fazia o que entendia
Passando-se por doutor.

Veste fato e põe gravata,
Com o seu ar expedito
P'ra que quem não o conheça
Creia ser um erudito.

A falta de economia,
Deste país bem a sério,
Continua a ser sinistra,
Continua a ser mistério.

Inda estou p'ra descobrir
Como o país vai avante.
Na escola da Tainha,
Ai, ai, ai que hilariante,

Bateram no Tamboril,
Que era então o Mestre-escola,
Notícia de rodapé
Só o qu'importa é a bola.

E assim vai este país,
De verdade irresoluta,
Com este Imperial
Um grande filho da Truta.

Edite Gil
2007.Abr.05



REVOLTA

Terá esta gente memória de peixe?
Reinará, a indiferença mundana acomodada?
Onde está a educação e a formação?
Assistiremos pávidos e serenos
ao apodrecimento da pureza já tão perdida?
A que móbil interior poderemos apelar,
quando, com uma precisão cirúrgica,
a amoralidade suplanta os bons costumes?
Seremos prisioneiros
dos silêncios eternos e inoportunos,
adormecendo ante o ribombar de problemas e emoções?
Rebelamo-nos demonstrando o descontentamento gélido
ou contemplamos apenas as exéquias da nossa história?



Edite Gil
2006.Jun.14

Edite Gil cultiva a cultura popular, reinventando-a como forma de a preservar, e vai tecendo aquilo que ora designaremos por "poemas andarilhos", ou seja, a arte de juntar palavras que se revê na tradição oral maltesa (como diria o poeta e romancista alentejano Manuel da Fonseca), contadora de estórias (i.é, das histórias de cariz popular), carregando-as com o sentido da crítica social e política ("a palavra é uma arma"), mordaz, irónica, ora filigranada, metafórica, ora abrupta com a jactância do improviso, mas nunca ao acaso - parte de uma reflexão pessoal para nos convidar também a nós a segui-la... aqui e agora!

v.t.: Registo vídeo de Edite Gil, interpretando o conto "Os velhos e a morte", no IX Encontro Palavras Andarilhas (Beja, 20-22 de Setembro, 2007), in: http://videos.sapo.pt/af9YaenTpP4RevJyhd54

Da Ciência e da Arte / Jorge Castro (poema) & David Zink (música)

Acerca da essencial e discreta diferença / Júlia Lello (poema) & David Zink (música)

Canção de embalar / Jorge Castro (poema) & David Zink (música)

Falas de amor / Jorge Castro (poema) & David Zink (música)